segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Greves apertam ainda mais o prazo das obras da Copa do Mundo

No mundo corporativo, uma empresa desorganizada normalmente tem problemas que começam lá de cima, nas pessoas que a comandam. Se a cúpula é uma bagunça, a tendência é que a dramaticidade do imbróglio aumente conforme vai descendo na hierarquia dos funcionários. O resfriado que sai das salas dos chefões chega como pneumonia no baixo escalão.


É mais ou menos isso que acontece com tudo que envolve a Copa do Mundo 2014. Desde que o Brasil foi eleito em 2007 a sede do Mundial, "desorganização" é a palavra que melhor define todo o processo. Praticamente todas as obras começaram tarde e o governo brasileiro não para de trocar farpas com a Fifa - e esta, ao contrário do que muita gente imaginava, também é de uma brasilidade impressionante no que tange a desorganização.


Um dos principais reflexos desta bagunça são as greves que marcam algumas das principais construções de estádios para o Mundial. O Maracanã, Mané Garrincha (que se chamará Estádio Nacional, segundo o governo do Distrito Federal) e Arena Pernambuco, pelo menos, já tiveram paralisações de funcionários.


Em São Lourenço da Mata, os 1400 funcionários que erguem o estádio pernambucano para a Copa organizaram uma greve porque não aguentam mais os maus tratos da chefia de segurança da construção. Em Brasília, os funcionários da obra pararam por duas semanas pedindo melhores bonificações e condições de trabalho. No estádio fluminense, duas greves já ocorreram desde o início da reforma, por motivos similares.


Segundo a BBC Brasil, uma federação sindical internacional chamada Trabalhadores da Construção e Madeira (ICM, na sigla internacional) está se aproximando dos sindicatos brasileiros de construção civil para organizarem uma greve geral das obras da Copa do Mundo no ano que vem. O objetivo: melhores salários e condições de trabalho. Segundo a Folha de S. Paulo desta segunda-feira (7), atrasos em obras envolvendo a Copa (aeroportos e obras de infra-estrutura inclusas) devem aumentar o orçamento em cerca de 702 milhões de reais - ou seja, o valor de mais um estádio grande.


Fazer greve é um direito do trabalhador e não podemos culpar os funcionários se as condições de trabalho não são as melhores. Parece a melhor maneira de pressionar os cabeças das obras a terem cuidado. Se o exemplo não vem de cima, que venha de baixo.

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