terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Paralização de Motoristas e cobradores em São Paulo

Motoristas e cobradores de ônibus da capital paulista fizeram uma paralisação de 3 horas no início da manhã desta terça-feira, 31. Mais de oito mil coletivos, de 32 garagens, não foram para as ruas durante este período. A decisão de se retornar ao trabalho foi tomada em assembleia realizada um pouco antes das 6 horas.

O número de passageiros prejudicados pode ter chegado a 2 milhões. São 6,1 milhões de pessoas que utilizam os ônibus diariamente em São Paulo. A categoria ameaça parar novamente no próximo dia 6, quando deve ocorrer outra assembleia. Segundo a São Paulo Transportes (SPTrans), em razão do número altíssimo de ônibus parados, não foi possível colocar em operação o Plano de Apoio entre as Empresas em Situação de Emergência (Paese).

O Sindicato dos Motoristas e Cobradores de São Paulo afirma que o ato foi um protesto contra as multas aplicadas pela Prefeitura de São Paulo nas empresas de ônibus por falta de qualidade de serviço e que depois são descontadas dos salários dos trabalhadores. Os sindicalistas querem que os motoristas sejam punidos apenas com multas previstas no Código de Trânsito Brasileiro e não com as sanções do Resam (Regulamento de Sanções e Multas). Segundo o sindicato, a Prefeitura aplica cerca de 400 multas diárias nas empresas de ônibus.

fonte: estadao.com.br

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

CULTURA: A Greve de SEXO revivida nos cinemas!

Por: Juliano Godoi*

Em uma releitura contemporânea do texto grego de Aristófones: Lisístrata, o diretor Radu Mihaileaonu, dos filmes: O concerto e o Trem da vida, trás ao século XXI boas reflexões sobre a relação de poder existente entre os gêneros masculino e feminino.

Tudo acontece no ano de 2006, numa pequena aldeia do norte muçulmano do continente africano, onde as mulheres estremecem as relações existentes entre elas e seus companheiros, quando exigem que seus maridos, desempregados e desocupados por causa da seca que castiga o vilarejo há anos, que busquem água para a vila e para os afazeres domésticos.

Frente ao machismo e a recusa masculina, as mulheres decidem deflagrar uma peculiar greve de sexo, que coloca em xeque valores e impõem aos homens do vilarejo a responsabilidade sobre suas ‘reputações masculinas’.

Abaixo sinopse e comentários sobre este fantástico filme!

*professor de história e colaborador do estadegreve

No festivo, musical e politicamente correto A Fonte das Mulheres, o diretor romeno Radu Mihaileanu (O Concerto,Trem da Vida) imagina um manifesto feminista numa pequena comunidade muçulmana no Magreb, norte da África.

Coproduzido pela França, Bélgica e Itália, o filme concorreu à Palma de Ouro em Cannes 2011.
A pequena aldeia, assombrada pela seca, o desemprego e a corrupção das autoridades locais - que atrasam a instalação da água encanada e da eletricidade - sobrecarrega de trabalho pesado suas mulheres. Sempre levando baldes nas costas, ladeira acima, ladeira abaixo, várias delas, grávidas, perdem os filhos.

Depois de um novo aborto de uma delas, a jovem Leila (Leila Bekhti, de O Profeta), uma das raras mulheres que sabe ler, lidera uma greve de sexo, procurando forçar os homens locais a se mexerem para resolver os problemas do povoado.

É uma trama que evoca a peça grega Lisístrata, de Aristófanes, mas tem outros desdobramentos. Um deles é como se dividem as reações masculinas ao inusitado protesto, num contexto nitidamente machista e conservador. O marido de Leila, Sami (Saleh Bakri, A Banda), está entre os liberais. Mas há homens intolerantes e impacientes, que partem para a agressão, acreditando assim poder dobrar as mulheres pela intimidação.ir

Como era de se esperar, as autoridades religiosas intervêm, o que dá margem a uma animada discussão sobre aquilo que está ou não previsto no Alcorão. Como em qualquer religião, tudo depende das interpretações, que viajam ao sabor da conveniência de quem se habituou a ser sempre amo e senhor e não quer ver o fim desse estado de coisas.

Mesmo entre as mulheres, as opiniões se dividem. A sogra de Leila (Hiam Abbass, de Free Zone), está à frente do bloco ultraminoritário que hostiliza as neofeministas, especialmente por ser encabeçado por sua nora - que veio de outra região e nunca foi muito bem-vista por ela.

Ainda que tratando de temas sérios, o tom grave é quebrado pelo formato musical. Usando canções, injeta-se um bem-vindo humor em inúmeras situações. Não só isso. Se há um mérito no filme de Mihaileanu é lançar uma luz diferente sobre a cultura muçulmana, quebrando o molde monolítico que o fundamentalismo procura fazer crer que seja a sua única voz e expressão. Diante das sucessivas rebeliões recentes no mundo árabe (Egito, Tunísia, Síria), o filme ganha ainda mais interesse e atualidade.

Outro ponto alto é o elenco feminino principal, em que se destacam a veterana atriz argelina Biyouna (como a rebelde Velho Fuzil), Hafsia Herzi (O Segredo do Grão) e Sabrina Ouazani (Homens e Deuses).


domingo, 29 de janeiro de 2012

Bombeiros e policiais fazem protesto por reajuste salarial no Rio

Bombeiros em manifestação praia de Copacabana

Bombeiros e policiais civis e militares realizaram, neste domingo, uma manifestação na praia de Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro.

Segundo o Sinpol-RJ (Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Rio de Janeiro), as categorias reivindicam melhores condições de trabalho e reajuste salarial.

Ainda de acordo com o sindicato, o Rio de Janeiro tem o pior salário do Brasil na segurança pública.

As três corporações ameaçam entrar em greve, caso até o dia 10 de fevereiro não houver um acordo com o governo.

Greve de pilotos cancela voos da Iberia na rota São Paulo-Madri

Uma greve de pilotos da Iberia programada para amanhã vai cancelar 123 voos, incluindo ligações entre Madri e São Paulo.

Será cancelado o voo que sai de Madri às 11h55 e o que parte de São Paulo para a capital espanhola às 21h35.

Os passageiros vão poder remarcar bilhetes pela internet, no site da empresa.

Essa é a terceira paralisação de pilotos da Iberia nos últimos dias. Eles protestam contra a criação da Iberia Express, empresa de baixo custo que deve iniciar operações em março.

O protesto ocorre em meio à crise da Spanair, companhia espanhola que anunciou a suspensão total das operações na noite de sexta-feira.

A Spanair tinha 22% do mercado doméstico espanhol e operava mais de 200 voos diários --nenhum para o Brasil.

O fim da Spanair afetou em torno de 22,7 mil passageiros neste final de semana.

Convocada para auxiliar na reacomodação, a Iberia aumentou a oferta de voos para destinos operados pela Spanair e ofereceu tarifas especiais para clientes prejudicados.

O fim da ajuda financeira do governo da Catalunha e a desistência da Qatar Airways de adquirir uma fatia da Spanair levaram à suspensão das operações.
fonte: folhasp.com.br

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Greve de caminhoneiros leva Fiat a suspender produção na Itália

As quatro fábricas da Fiat na Itália vão suspender a produção a partir da próxima terça-feira, devido a uma greve de caminhoneiros em protesto contra as medidas de austeridade anunciadas pelo primeiro ministro, Mario Monti.

"A produção vai ser paralisada a partir da terça-feira nas unidades Melfi, Cassino, Pomigliano e Sevel", disse um porta-voz nesta segunda-feira.

Caminhoneiros bloquearam rodovias que cortam a Itália em oposição à elevação da taxação sobre combustíveis e reformas econômicas que visam aumentar a competição em mercados protegidos.

Os caminhoneiros bloquearam saídas de rodovias em várias partes do país, incluindo a sede da Fiat, em Piedmont. As fábricas da Fiat que foram afetadas estão na região central e ao sul do país.

fonte: estadao.com.br

Funcionários do Porto de Santos farão greve no dia 8 de fevereiro

Reivindicações incluem a regularização da previdência social dos portuários, a profissionalização técnica da Companhia Docas e a assinatura dos acordos coletivos dos funcionários

Os trabalhadores do Porto de Santos decidiram, em assembleia, que irão paralisar suas atividades por 24 horas, em uma tentativa de pressionar o governo a negociar as reivindicações do setor. A paralisação está marcada para o dia 8 de fevereiro. De acordo com o vice-presidente do Sindicato da Administração Portuária, João de Andrade, a decisão foi tomada em conjunto com sindicatos de outros portos administrados pela Companhia Docas, que cuida dos portos de Rio de Janeiro (RJ), São Sebastião (SP), Paranaguá (PR), Natal (RN) e Vitória (ES), entre outros.

Andrade afirma que o sindicato irá enviar um documento com as reivindicações para as autoridades nos próximos dias. Se o governo não aceitar as propostas, os trabalhadores deverão entrar em greve por tempo indeterminado a partir do dia 23 de fevereiro. Segundo o vice-presidente, a pauta de reivindicações inclui o pedido para que o governo regularize a previdência social dos trabalhadores portuários, a profissionalização técnica da Companhia Docas e a assinatura dos acordos coletivos dos portuários que encontram-se em aberto desde 2011.

fonte: estadao.com.br

O custo humano embutido num iPad

Somente em 2011, quatro pessoas morreram e 77 ficaram feridas em fábricas contratadas para produzir as últimas novidades da Apple

A explosão arrasou o Edifício A5 numa tarde de maio do ano passado. Uma erupção de chamas torceu os tubos de metal como se fossem canudos jogados fora. Quando os operários na lanchonete correram para fora, viram uma fumaça negra saindo das janelas - era a área onde os empregados poliam milhares de estojos de iPads por dia.

Duas pessoas morreram na hora e mais dez se feriram. Quando os feridos eram levados às pressas para as ambulâncias, um em particular chamava atenção. O rosto lambuzado, atingido pelo calor e a violência da explosão, deu lugar a uma pasta preta e vermelha no lugar da boca e nariz.

"Você é o pai de Lai Xiaodong?", alguém perguntou, quando o telefone tocou na casa de Lai. Seis meses antes, o jovem de 22 anos havia se mudado para Chengdu, sudoeste da China, para se tornar mais uma das milhões de peças humanas da engrenagem que move o maior, mais rápido e mais sofisticado sistema de manufatura no globo. "Ele está com problemas", disse a pessoa do outro lado da linha ao pai de Lai, que não resistiu aos ferimentos.

Na última década, a Apple tornou-se uma das mais poderosas e bem sucedidas empresas do mundo. A Apple e suas congêneres do setor de alta tecnologia alcançaram um ritmo de inovação jamais observado na história moderna.

Contudo, os operários encarregados da montagem dos iPhones, iPads e outros aparelhos com frequência trabalham em condições terríveis, de acordo com empregados das fábricas, grupos de defesa dos trabalhadores e relatórios publicados pelas próprias companhias. Os problemas são tão variados quanto os ambientes de trabalho e os problemas de segurança - alguns mortais - são graves.

Os operários fazem horas extras excessivas, em alguns casos trabalham sete dias por semana e vivem em dormitórios superlotados. Alguns trabalham em pé por tanto tempo que suas pernas incham a ponto de quase não conseguirem andar. Empregados menores de idade ajudaram a fabricar produtos da Apple, fornecedores da companhia armazenaram inadequadamente lixo tóxico e falsificaram registros, segundo dados da empresa e grupos de defesa do trabalhador que, dentro da China, são considerados monitores independentes e confiáveis.

Mais preocupante ainda é o desprezo de alguns fornecedores pela saúde do trabalhador. Há dois anos, 137 funcionários de uma fornecedora da Apple a leste da China foram intoxicados depois de receber ordens para usar uma substância química venenosa para limpar as telas do iPhone. No ano passado, houve duas explosões em fábricas de iPad mataram quatro pessoas e deixaram 77 feridas. Antes mesmo destas explosões, a Apple havia sido alertada para as condições perigosas na fábrica de Chengdu.

A Apple não é a única empresa de produtos eletrônicos que opera dentro de um sistema de suprimento preocupante. Condições terríveis de trabalho foram documentadas em fábricas de manufatura de produtos para a Dell, Hewlett-Packard, IBM, Lenovo, Motorola, Nokia, Sony, Toshiba e outras.

Executivos da Apple dizem que a companhia adotou medidas importantes para melhorar as fábricas nos últimos anos. A empresa criou um código de conduta para seus fornecedores, detalhando os critérios a serem obedecidos em termos de trabalho e segurança. A empresa organizou uma campanha de auditoria. Abusos foram descobertos e correções foram exigidas.

Mas os problemas importantes continuam. Mais da metade das fornecedoras inspecionadas pela Apple violaram pelo menos uma norma do código de conduta a cada ano desde 2007, de acordo com relatórios da Apple.

"A Apple nunca se preocupou com qualquer outra coisa a não ser melhorar a qualidade do produto e reduzir os custos de produção", disse Li Mingqi, que trabalhou até abril na administração na Foxconn, uma das mais importantes parceiras da Apple na China. Li, que está processando a Foxconn por ter sido despedido, trabalhava na fábrica de Chengdu quando ocorreu a explosão.

A Apple recebeu um resumo deste artigo, mas não quis comentá-lo. A reportagem foi baseada em entrevistas com mais de 30 funcionários, antigos e atuais, e contratantes, incluindo alguns executivos com conhecimento do grupo de responsabilidade do fornecedor da Apple.

Emprego. Quando conseguiu o emprego na Foxconn, Lai Xiaodong sabia que a fábrica em Chengdu era especial. Os trabalhadores estavam produzindo o mais recente produto da Apple: o iPad.

Lai, que consertava máquinas da fábrica, logo de início notou as luzes quase ofuscantes. Os turnos eram de até 24 horas e a unidade estava sempre iluminada. A qualquer momento, havia milhares de operários em pé nas linhas de montagem, agachados perto das grandes máquinas ou correndo entre as plataformas de carga. As pernas de alguns estavam inchadas.

Cartazes nas paredes alertavam os 120 mil empregados: "Trabalhe com afinco no seu emprego hoje ou vai ter que trabalhar duro para encontrar um emprego amanha". O código de conduta da Apple estabelece que, salvo em circunstâncias excepcionais, os operários não devem trabalhar mais de 60 horas por semana. Mas na Foxconn, alguns trabalhavam bem mais, segundo entrevistas, holerites e investigações de grupos independentes.

Lai logo passou a trabalhar 12 horas por dia, seis dias na semana. Havia "turnos contínuos" e então os operários recebiam ordens para trabalhar 24 horas seguidas. O grau universitário permitiu que o jovem ganhasse um salário de US$ 22 por dia, incluindo horas extras. Ao sair do trabalho, ele se recolhia num pequeno aposento, suficiente para abrigar um colchão, um guarda-roupa e uma mesa.

Essa acomodação era melhor do que muitos dormitórios da empresa, onde viviam 70 mil empregados da Foxconn, às vezes com 20 pessoas espremidas em um apartamento de três quartos. Em 2011, uma disputa sobre salários desencadeou um motim num dos dormitórios.

Em nota, a Foxconn contestou os relatos de funcionários sobre os turnos contínuos, as horas extras e as acomodações abarrotadas. Segundo a empresa, ela respeitava os códigos de conduta da Apple. "Todos os empregados da linha de montagem têm pausas regulares, incluindo uma hora para o almoço", escreveu a companhia, afirmando que somente 5% dos empregados realizavam suas tarefas em pé.

fonte: estadao.com.br

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Assembleia dos portuários na próxima terça (24) deliberará sobre rumos da paralisação

Trabalhadores dos portos brasileiros anunciaram em encontro realizado nos dias 5 e 6 de janeiro uma paralisação nacional de 24 horas no dia 8 de fevereiro como forma de advertir e pressionar o governo a rever o processo de intervenção do Fundo de previdência complementar dos portuários, o Portus. Caso não haja uma resolução que atenda as reivindicações dos trabalhadores uma greve por tempo indeterminado será deflagrada a partir de 23 de fevereiro.

O fundo apresenta hoje um rombo próximo a R$ 4 bilhões devido principalmente a falta de fiscalização do governo e ao descumprimento das patrocinadoras. Sabendo desta problemática, em agosto do ano passado o governo preferiu tapar o sol com a peneira ao fazer uma intervenção no Portus, recomendando a liquidação e o desmembramento do fundo.

De acordo com Eduardo Guterra, presidente da FNP (Federação Nacional dos Portuários), entidade que representa 40 mil trabalhadores portuários, o interventor organizou um relatório apontando soluções já conhecidas pelo governo: o problema do Portus tem origem na União e nas patrocinadoras que não repassam os recursos exigidos para a conclusão do plano de recuperação.

“A intervenção está terminando (acaba dia 23 de fevereiro), mas até este momento não sabemos onde isso vai dar. O governo não apresentou uma resposta positiva que provoque o debate franco e aberto. Este paralisação servirá como forma de advertir e cobrar uma posição clara quanto ao Portus”, declara Guterra.

No dia 24 de janeiro será realizada uma assembleia nacional para comunicar aos trabalhadores os rumos do movimento. Segundo o presidente da FNP, o intervalo entre a paralisação do dia 8 e a possível greve do dia 23 possibilita ao governo repensar esta política de intervenção.

“O Portus necessita de organização, ou seja, um plano que salde todas as dívidas do do governo e das empresas de administração portuária, patrocinadoras do fundo de pensão. Não aceitaremos que os trabalhadores sejam prejudicados por conta desta intervenção”, cobra Guterra.

A Federação Nacional dos Portuários já encaminhou um pedido de audiência junto a Secretaria Geral da Presidência e ao Ministério do Planejamento e aguarda uma resposta.

Acordo coletivo emperrado
Outro ponto que pode levar os trabalhadores à greve foi o fracasso na discussão do acordo coletivo do ano passado. Com data base em junho, os trabalhadores correm o risco de chegar na próxima negociação sem definição.

Eduardo revela que o impasse se dá por conta da insistência do Ministério do Planejamento em não cumprir decisão da Justiça Federal de 2008 que por pedido da Federação Nacional dos Portuários decretou a inconstitucionalidade da Resolução nº 09, editada pelo Conselho de Coordenação e Controle das Empresas Estatais do Ministério do Planejamento em 1996 durante o governo FHC.

Nela, determinava-se que os dirigentes das empresas estatais federais adaptassem seus regulamentos internos de pessoal e plano de cargos e salários, visando limitá-los ao mínimo legal, diferenciando direitos e benefícios entre empregados de empresas estatais e de economia mista.

“Isso acabava gerando um conflito entre os próprios trabalhadores, porque se criava duas categorias dentro de uma mesma empresa (uma que teve seus direitos assegurados e a incorporou ao seu patrimônio e outra que entrou depois, já sem o direito a esses benefícios), o que acabava gerando um problema de isonomia”, relata Guterra.

A ação da FNP se baseou, entre outros, no artigo 7º, XXVI, da Constituição Federal que privilegia a negociação coletiva, incentivando o entendimento direto entre as categorias, independentemente da intervenção estatal.


quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

NOTA PÚBLICA: Sobre as declarações do Governo do Rio Grande do Sul, que afrontam decisão do STF e ameaçam o cumprimento do piso do magistério

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, entidade representativa de mais de 2,5 milhões de trabalhadores na educação básica pública, lamenta, profundamente, a declaração do secretário de Fazenda do Rio Grande do Sul de que o Estado não adotará o piso nacional como referência para o pagamento dos vencimentos iniciais de carreira dos profissionais do magistério público gaúcho, por motivos de incapacidade financeira.


Primeiramente, é preciso lembrar que o Rio Grande do Sul é um Estado-membro da República Federativa do Brasil, estando, portanto, sujeito às regras da Constituição Federal e das decisões do Supremo Tribunal Federal, órgão do Poder Judiciário responsável em fazer cumprir os preceitos da Carta Magna.


Em segundo lugar, a atitude do Governo gaúcho em relação ao piso do magistério é lamentável, pelas seguintes questões:


1. Afronta o Estado Democrático de Direito e instiga gestores descompromissados com a educação pública a não cumprirem a Lei Federal;


2. Contradiz os compromissos do Governador Tarso Genro, assumidos à época em que ocupou o Ministério da Educação, de promover a valorização dos profissionais do magistério, tendo o mesmo sido signatário da Lei 11.738, que regulamentou o piso nacional do magistério;


3. De igual forma, contraria recentes declarações do Governador quanto à necessidade de se aproximar os vencimentos das categorias no serviço público, bem como de diminuir as diferenças de renda no país, dentro de uma perspectiva republicana de Estado democrático (Jornal Folha de São Paulo, Tendências e Debates, 8/1/12);


4. Expõe a inabilidade do Governo em negociar com a categoria do magistério a adequação do seu plano de carreira, à luz das perspectivas de ganho real asseguradas pelo piso nacional;

5. Aposta na manutenção da política de desvalorização do magistério do RS, e de todo país, ao capitanear reações organizadas de governadores contra a Lei do Piso.

A CNTE espera que o Governo do Rio Grande do Sul assuma postura responsável frente a seus compromissos com o piso do magistério, a fim de valorizar, efetivamente, a categoria e de garantir o acesso, a permanência e o aprendizado dos estudantes à escola pública gratuita, democrática, laica e de qualidade socialmente referenciada para todos e todas.


Brasília, 13 de janeiro de 2012


Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação

Servidores públicos se mobilizam e ameaçam greve geral

Depois de um ano de muita negociação com o governo Dilma e nenhum reajuste salarial, o funcionalismo público federal decidiu se unir já no início deste ano e ameaça o governo com uma greve geral, caso as conversas nesse sentido não avancem. Reunião entre lideranças sindicais nesta quinta-feira, 19, pode definir como as reivindicações serão feitas e quais categorias devem aderir.


Com a perspectiva de que 2012 seja mais um ano de orçamento apertado, sem aumentos para a categoria, os servidores vão aguardar até março para receber alguma sinalização positiva por parte do governo. Caso contrário, o funcionalismo, dessa vez, promete jogar duro.


"Dessa vez, não vamos esperar o fim do prazo legal para o envio de reajustes ao Congresso, em agosto. Não seremos enrolados de novo", afirmou o presidente do Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil (Sindreceita), Pedro Delarue, que reuniu nessa quarta-feira, 18, em Brasília, analistas de todo o País para discutir a estratégia de mobilização.


Segundo ele, a defasagem salarial da categoria é de 15%. "Se sentirmos que o governo quer protelar a negociação, fingir que ela não aconteceu, vamos entrar em greve. Nosso deadline é fim de abril, começo de maio", disse. Embora ainda seja uma possibilidade, o Sindreceita pretende começar a recolher verba extra já em fevereiro para o fundo de greve.


Nesta quinta-feira, 19, a reunião será mais ampla e incluirá representantes dos auditores fiscais do trabalho, delegados da Polícia Federal (PF) e advogados e procuradores da Advocacia-Geral da União (AGU). A intenção é que o movimento inclua também servidores de carreiras típicas do Estado, como do Banco Central (BC), Tesouro Nacional e agências reguladoras.


"Os delegados da Polícia Federal estão juntos nesse embate", afirmou o presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Federal no Estado de São Paulo, Amaury Portugal. De acordo com ele, a defasagem salarial da categoria, até 2011, era de 14,7%, mas se ampliou neste ano e gira em torno de 20% a 22%.